Outra canção presente para alocar Paris num sítio perto de mim! Obrigadaaaaa
Dentro
Gosto da imensidão de palavras que o meu dicionário não descobriu e das linhas tortas que ainda não li, tão só porque me enterneço a desfiar novelos e seguir linhas que me levem num percurso iluminado à medida dos meus passos no chão. Às vezes, numa emoção incontida, dou comigo a salivar por pedaços de histórias que construí na minha cabeça de nuvem e que alguém verbaliza e nesse instante sei que não vivo no tempo e desconheço o que é esse conceito figurativo de idade.
Sinto que tenho anos de mar. Horas seguidas passadas em traçados circulares, estradas gastas e águas muito profundas onde sempre foi possível ver o espelho do céu. E, porém, não tenho o tempo do tempo que a minha pele reluz e o meus sinais indicam, por gostar tanto de sol e não saber que nos gastamos na superfície, da mesma maneira como vivemos para gastar as solas dos sapatos num percurso pedestre.
Amo a terra vista do mar. E o mar visto dos meus olhos lá.
(Mar Adentro), traduzido.
Sinto que tenho anos de mar. Horas seguidas passadas em traçados circulares, estradas gastas e águas muito profundas onde sempre foi possível ver o espelho do céu. E, porém, não tenho o tempo do tempo que a minha pele reluz e o meus sinais indicam, por gostar tanto de sol e não saber que nos gastamos na superfície, da mesma maneira como vivemos para gastar as solas dos sapatos num percurso pedestre.
Amo a terra vista do mar. E o mar visto dos meus olhos lá.
(Mar Adentro), traduzido.
Quotidiano
Às vezes pequeno-almoço com gente que tem sardas,
e penso na quantidade de pele à vista,
e se sorrio, porque me emociona pizindim,
chorinho-canção de minhas manhãs,
talvez seja a memória de músicas que nasceram antes de mim,
ou a leve certeza de que o humor abrilhanta a vida,
e a frescura de laços que me ligam instintivamente
a gente pura e bela.
e penso na quantidade de pele à vista,
e se sorrio, porque me emociona pizindim,
chorinho-canção de minhas manhãs,
talvez seja a memória de músicas que nasceram antes de mim,
ou a leve certeza de que o humor abrilhanta a vida,
e a frescura de laços que me ligam instintivamente
a gente pura e bela.
Fad'ango: sabor a'mar
Na madrugada do que me sinto, quase que sou o raio de sol que está a despontar. E a lua que lhe vai dar lugar. Tanta coisa- Meu Deus- tanto lugar que trago nesta vida de mar. Tanta gente, tantas e tantas melodias que hoje me encheram o olhar. Quero viver. Quero viver para rimar. Sentir no corpo o fado e o tango e saber que numa noite destas sou escarlate. Tenho amor vermelho-vivo, as minhas mãos são para te segurar, meu amor, meu amor, que ao menos me digas que perfume é este no ar. E se pudesse nessa voz velada segurar, se eu pudesse,ai se eu pudesse, todos os dias ouvir-te cantar.
Voltar a ti é como andar sobre nenúfares,
entristecer numa cidade portuária e ver nascer
narrativas sofridas de gente como eu
que ficciona o corpo, friccionado a alma
enjeita a certeza, ajeita o precípicio
e lá do alto te chama para dançar
e na estrofe primeira
já deixei de te amar.
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