amanhã

não há salas que cheguem onde caiba o que me custa saber o que a vida não vale. ter a certeza que te foste num dia de improvável calor e de cheiros de rosas e malmequeres vários a encher o espaço onde eu fui tão criança. o mês todo a desejar passar de 30 de Julho para 1 de Agosto na tentativa ignóbil de esquecer esse dia. quando o dia da morte não é mais do que um dia, como os outros, em que nenhuma recordação se perde na e da minha memória. quis dormir sobre um tecido de combinação, um lenço de bolso à cabeceira ou uma travessa na mão para que houvesse algo palpável que me desse chão. fiz uma trança no cabelo. mas não a prendi, como tu fazias. quero o vento e o calor a tocar-me no cabelo e imaginar que podes ser tu.

Flor d'água

Dentro da noite há uma noite de dia. Um crepúsculo despenteado que ilumina mas pouco. No Verão, somos arquitectos de formas de biquinis sobre o corpo que se tapa e se destapa em água. Queria ser isso na escrita. Água.