Repeat after me

Sinceramente não sei o que gosto nas citações. O facto de pouco me rever nelas ou colarem-se-me à pele e eu parecer, de repente, um embrulho todo aperaltado. E num dia escrevo coisas de bradar aos céus e penso quem terá entrado, furtivamente, no meu computador e terá escrito tudo isto?
Hoje, fazendo o percurso Campo de Ourique- Rato, bem cedo pela manhã, não me lembrei das previsões. Nem sequer de tudo quanto escrevi para aquela pessoa, num jeito até bem despropositado, tendo em conta que as aliterações e a música formada pelas palavras que escreve são íntimas e pessoais e talvez eu leia mais do que viva. Ou ao contrário, como gostava de nos dizer o Zinko. Gosto de por o "o" a seguir ao nome, para ficar tudo certo com aquele estilo de personagem de banda desenhada.
E depois, leio coisas que me assaltam e que me remetem para uma dezena de pessoas que não se cruzaram, não se conhecem, mas que me surgem na vista da memória, como quando tenho gripe por andar com o pescoço descoberto.
Atravessando o Jardim da Estrela, lembrei-me do Nique, também ele personagem de banda desenhada, que nunca soube bem porque é que eu lia Flaubert na altura em que nos conhecemos e que sempre gostou dos meus textos mais pirosos. E pirosos para não dizer piolhosos, como diz alguém de quem gosto. E da palavra leve.
Já no metro, lembrei-me da elegância da não resposta. Tenho esta coisa de admirar quem está por bem. E é-me difícil não perdoar o silêncio. E, por outro lado, sei que existe um mundo todo para o acolher e isso descansa-me.
Hoje li dois textos muito bons. E ainda choro com eles. E não me chamo Madalena. Ou Ema, nome de que o meu pai muito gosta porque nas palavras cruzadas, ele não falha. E Ema, indubitavelmente, é uma ave corredora.
Quando ele falha sistematicamente, eu ponho-me a fazer palavras cruzadas. E não sei o que procuro do outro lado. Nem ele.
Não sei porque me soube bem ouvir o refrão da música que pus no post anterior. Porto seguro? Ou a periclitante sensação de andar no arame?
Hoje, depois de algum tempo a não andar de transportes públicos, respirei. E a talha do detalhe do pormenor daquele jeito particular de cada coisa no seu sítio e o modo próprio de ter tempo para olhar e perdê-lo (ao olhar) em todos os pontos de luz... deu-me corpo.
Acho que digo corpo vezes demais.
E acho que acho que acho que sou um instante repetido.

3 comentários:

Anónimo disse...

só em 2009 já la vão 12 "corpo".
AVAN

Anónimo disse...

avant-garde; avan(tade); avan(te); avan(tajar); avan(tadinha);avan (tade do freguês),avan(maria);avan(ta-te);avan(çar) em direcção à parvoíce! Avan?

Anónimo disse...

Achei genial. Mas são iniciais totó!
AVAN