Corpo. Corpo. Corpo. Corpo. Corpo. Corpo. Corpo. Corpo. E com estas vá lá vão 20 e estamos definitivamente acordados quanto ao facto de dizer corpo vezes sem fim.
Teach me. Teach me. Teach me. Como viver sem perder a bestialidade. De dizer coisas feias a um ouvido bonito porque mesmo zangada posso ainda ser. Posso ainda dizer. Coisas que para ti façam sentido.
Demasiado ruído à volta da minha cintura. Porque demasiadas pessoas esperando por mim numa esquina impossível no meu percurso de vida. Como posso ser outra? Como posso desvendar-me sem mostrar a ínfima parte de que sou feita e que quase se traduz na frase: let's go outside. Hoje, num bar de bairro li uns olhos profundos em pleno mar. E é só isso.
E num remix de Caeiro e de Simões, este podia ser um poema só:
"Dança comigo a primeira valsa da Primavera: dança sem sonhos, esquece as promessas, ninguém nos espera. Eu nunca guardei rebanhos. Mas é como se os guardasse. Minha alma é como um pastor. Conhece o vento e o sol. E anda pela mão das Estações. A seguir e a olhar. Já enchi os dias de lutas vazias: estou gasto, cansado, dormente. Toda a paz da Natureza sem gente. Vem sentar-se a meu lado. Mas eu fico triste como um pôr de sol. Para a nossa imaginação. Quando esfria no fundo da planície. E se sente a noite entrada. Como uma borboleta pela janela. Fala comigo na palavra falsa da fantasia: chovem amigos na festa da praça do meio dia. É certo que as flores parecem maiores que toda a virtude do mundo: com um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda me sinto profundo. Com um ruído de chocalhos. Para além da curva da estrada. Os meus pensamentos são contentes. Só tenho pena de saber que eles são contentes. Porque, se o não soubesse. Em vez de serem contentes e tristes. Seriam alegres e contentes. Se este mundo fosse feito para ser doce eu seria doce fosse eu quem fosse. Foge comigo na última volta da maratona, nada comigo num lago indeciso de metadona. Já deixei as asas na cave da casa e as chaves no fundo do mar: com um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda nos vamos casar. Não tenho ambições nem desejos. Ser poeta não é uma ambição minha. É a minha maneira de estar sozinho. E se desejo às vezes. Por imaginar, ser cordeirinho (Ou ser o rebanho todo. Para andar espalhado por toda a encosta. A ser muita coisa feliz ao mesmo tempo). É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol. Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz. E corre um silêncio pela erva toda."
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