Quando nos chamam para tomar o pequeno almoço no café do outro lado da estrada e gritam o nosso nome a plenos plumões porque sabem que o detestamos ouvir assim. Quando nos deixam um post-it na mesa dizendo que as iniciais do nosso nome dão para escrever a. r. i. r. , se invertermos uma delas. Quando nos levantam os limpa pára-brisas do nosso novo carro e nos informam via sms que estar viva é poder fazer coisas tão simples como baixar os limpa pára-brisas que uma pateta qualquer se lembrou de levantar. Quando nos escrevem num postal de natal que os nossos olhos, apesar de entristecidos a subir a escada, sabem a mar. Sabem amar.
Quando esticamos a vida para lá do limite do possível e do razoável para as nossas dores de alma. Quando trincamos fruta e sugamos o sumo para que ao menos tenhamos o proveito de que a fama nos incumbe: beber a vida dum trago e não conservar ao menos um gole para o dia seguinte. Por a uso tudo quanto temos. Não usar plásticos de segurança. Nem aventais por sobre. Cada dia, um dia de festa. Cada noite, um olhar diferente de amor. Adorar filmes e adorar a vida pelo lado menos encantado, ensaiado e fantasiado de que temos memória. Ter medo de morrer sem sentir o amor mais uma vez. Soletrar América latina na noite. Escutar a voz enrouquecida que dá corpo às músicas que ouvimos de noite. Não há calor suficiente que nos resgate das chamas onde nos consumimos. Não há diminuitivos ternos quanto baste para acreditarmos que tudo o que somos nos vai servir de alguma coisa algum dia.
Conheço o suficiente as coisas que não conheço. Conheço tão bem todas aquelas coisas de que desconheço pelo lado de dentro. Conheço a sensação de sentir que sentem compaixão por mim. Que reconhecem o ser que sou e as possibilidades que tenho. E a forma tão absolutamente certa e saudável e apaixonada como vivo os dias. E que sim: que faço bem em entregar a alma em quantidades variáveis. E que sim: que quem assim vive, sem medo do que há-de vir, arriscando por ruas e caminhos errantes, vai ter, tem de ter, um futuro à medida. À medida dos sonhos. À medida da entrega. À medida da ingenuidade. À medida da verdade. À medida da autenticidade. Porque amo os amigos e os que me querem bem, vou dizendo que sim, com o sorriso. Sabendo bem demais, que não. Nada disso é verdade. Nada disso me coloca num patamar de maior verdade ou de uma hipótese mais próxima do paraíso. O mais que tenho são sonhos por cumprir e músicas a mais na cabeça. Pelo meu lado, sou incapaz de os desdizer. De os desacreditar. De os desiludir. Os amigos são as lágrimas por cumprir.
Quando esticamos a vida para lá do limite do possível e do razoável para as nossas dores de alma. Quando trincamos fruta e sugamos o sumo para que ao menos tenhamos o proveito de que a fama nos incumbe: beber a vida dum trago e não conservar ao menos um gole para o dia seguinte. Por a uso tudo quanto temos. Não usar plásticos de segurança. Nem aventais por sobre. Cada dia, um dia de festa. Cada noite, um olhar diferente de amor. Adorar filmes e adorar a vida pelo lado menos encantado, ensaiado e fantasiado de que temos memória. Ter medo de morrer sem sentir o amor mais uma vez. Soletrar América latina na noite. Escutar a voz enrouquecida que dá corpo às músicas que ouvimos de noite. Não há calor suficiente que nos resgate das chamas onde nos consumimos. Não há diminuitivos ternos quanto baste para acreditarmos que tudo o que somos nos vai servir de alguma coisa algum dia.
Conheço o suficiente as coisas que não conheço. Conheço tão bem todas aquelas coisas de que desconheço pelo lado de dentro. Conheço a sensação de sentir que sentem compaixão por mim. Que reconhecem o ser que sou e as possibilidades que tenho. E a forma tão absolutamente certa e saudável e apaixonada como vivo os dias. E que sim: que faço bem em entregar a alma em quantidades variáveis. E que sim: que quem assim vive, sem medo do que há-de vir, arriscando por ruas e caminhos errantes, vai ter, tem de ter, um futuro à medida. À medida dos sonhos. À medida da entrega. À medida da ingenuidade. À medida da verdade. À medida da autenticidade. Porque amo os amigos e os que me querem bem, vou dizendo que sim, com o sorriso. Sabendo bem demais, que não. Nada disso é verdade. Nada disso me coloca num patamar de maior verdade ou de uma hipótese mais próxima do paraíso. O mais que tenho são sonhos por cumprir e músicas a mais na cabeça. Pelo meu lado, sou incapaz de os desdizer. De os desacreditar. De os desiludir. Os amigos são as lágrimas por cumprir.
2 comentários:
gostei.
Que bom existires e poderes chamar-me "pateta".
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