Queria ficar a saber para sempre. Se cada dia de luz vale por todas as noites escurecidas no silêncio de nós. Se cada adormecer numa cama de um quarto que não o nosso abre um buraco para a lua ou se é uma etapa a mais para o conhecimento que devemos ter da brevidade das coisas que nos foram felizes. Se devo chorar de felicidade porque me comovo com detalhes insignificantes, tecidos gastos, ruas sem saída e pessoas prestes a partir. Ou se devo construir uma arca, forrá-la a cores, por música dentro e ver desfilar tudo quanto passou por mim para que eu saiba a que sabe a intensidade. Mas queria sabê-lo já. Para poupar tempo. Para poupar espaço nas dores pelo corpo. Para arrumar a vida por temas. E para saber se sou miseravelmente pobre ou estupidamente dorida. É porque tenho de ter uma teoria. Uma religião. Um mapa. Uma luz qualquer que se enterneça pelo meu desnorte habitual. Pela minha falta de talento para dizer as coisas.
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