sem título 1

Entrou na luz solar de um calor espesso de Verão.
É plena noite como a noite sabe ser dentro do dia.
As vozes arrastam-se como se estivessem
incompreensivelmente à margem de qualquer coisa
que não se decifra nem depois de muito se olhar.
Como se fosse lúcida demais a sua sombra propagada.
Os olhos suspendem de quando em vez a aurora.
E em carne viva à espera de quem os tome
num vício danado, num gesto indolente,
- uma vida toda à espera
que as palavras sejam ruído apenas
na harmonia clara
da vontade que temos.

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