Esta semana foi comprida. Comprida a arrastar-se. Comprida em cansaço. Comprida em corrida. E eu a ver-me e desejar-me. Porque, se eu pudesse, o dia hoje não tinha noite e continuava dia até outro dia vir e assim sucessivamente. Porque cada palavra me fez assentar os pés no chão e pensar nisso da verdade das coisas.
Esta semana senti-me desconfortável a valer num sítio onde normalmente estou muito confortável porque gosto do que faço. Porque trabalho para mim. E para tudo quanto me dá gozo aprender e hoje falei disso com uma pessoa very british de hábitos e tão soft de palavreado que mora no último piso. Qualquer pessoa ganha a vida ao subir aquelas escadas e soltar umas palavras na sua direcção. E percebi que tenho de lidar melhor com isso de devassarem uma vida à minha frente e a mim apetecer-me vomitar, no imediato.
Esta semana tomei chá e fiquei a pensar nos acasos dos casos dos ocasos que fazem as pessoas esquecerem-se de nós e lembrarem-se de nós. Esta semana disse coisas muito silly-season só porque decidi que ganho a vida na descontração e na leveza e não há maior prazer do que esse.
Esta semana abusei do verde e do encarnado e pus novamente a cabeça a arejar. E esta semana (como sei ser repetitiva e como isso me deixa feliz) percebi que amei o filme pela razão certa. Amo, esses: os incautos, sonhadores, diabólicos-demabuladores-de-nuvens, os observadores-natos-que-saem-do-seu-corpo-para-melhor-apreciar-a-vista e os oradores-dos-passos-perdidos, eternos condenados à palavra fácil de canto de boca, os que são sérios e magnânimos e leves ao mesmo tempo e os que esperam-a-eternidade-toda-para-serem-qualquer-coisa-de-mais-pungente-e-não-conseguem. Amo os desmembrados de família e de coração e os de feitio difícil pela manhã. Amo os moralistas e os imorais: os pérfidos e os samurais. Os amantes de ócio e de preguiça. Os que envergonham a filosofia barata de alcofa. Amo os surrealistas e os que abusam da pontuação, os que não se levam a sério e os que têm carácter antes e sobre qualquer coisa. Amo os que acreditam-não-haver-Deus e os que olham para cima quando dizem uma ignomínia. E nem sequer tenho umas calças bege. E nem sequer andei nos escuteiros na minha infância perdida. E quase que vejo as pessoas na infância quando elas escrevem.
Esta semana. Sinceramente. Só quero um poiso para descansar.
3 comentários:
ignomínia? foda-se!
AVAN
ignomínia [ i.gno.mí.ni.a ] substantivo feminino ( Do latim: ignominĭa- )
Grande desonra,
opróbrio,
infâmia,
afronta pública
desdouro.
arranja aí significado para "egomínia".
AVAN
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