não tem coração,
dentro,
chego sempre tarde
parto sempre triste,
e o mais, sou,
em riste.
O meu útero
não tem oração,
ao centro,
regresso sempre cálida,
retempero sempre lânguida,
e o menos, estou,
em lâmina.
Pus todas as as coisas do sal e do sangue da vida junto ao mar.
Enxaguei as estrelas e o mundo que cabe na palma da minha mão aberta.
Tentei, em vão, respirá-las em fogo e vê-las a arder no fundo, exangues.
Tirei um retrato ao desejo e planeei uma réplica de onda, à medida dos meus braços, para trazer para junto da cama. E vou, tenho a certeza, deitar-me nela. E fazer da sombra da memória, clarabóia do mundo tocante.
Quando não souber onde pus o sono.
O que fiz com o abandono.
Onde parou o tempo.
Como pôde um Homem ficar sedento.
Do mundo.
E atalhar caminho.
Vislumbrar o corpo em desalinho.
E dizer que valeu a pena.
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