Vim aqui para escrever em quinta, na socapa, depressa, à laia do safanão nas letras que me estão na garganta e que também me dão abraços e me sufocam, as sacanas.
Venho aqui porque, de repente, me apeteceu dizer tudo. Sem abreviaturas, metáforas, eufemismos. Dizer tudo, dizendo nada porque sempre achamos uma forma de dar a volta ao texto por um conjunto de circunstâncias a que podia dar mil nomes.
Em 2004 deixei uma cidade. Que conheci em 1999. Num acaso improvável de um dia excessivamente quente. Deixei a cidade para trás. Deixei-a e não insisti porque tenho esta coisa de achar que as coisas se resolvem por si e que não posso carregar um peso demasiado pesado (passo o pleonasmo) para a pessoa com quem tenho de conviver todos os dias- eu - e porque sou incapaz de conviver com a probabilidade de as escolhas feitas por alguém de quem gosto terem sido, de alguma forma, propiciadas por mim.Por isso deixei a cidade, deixando outras coisas dentro dela, e um retrato de mim que não voltei a encontrar novamente. Desde então, erros atrás de erros, num ridículo-espetacularmente-absurdo, um circo móvel em que um eu amestrado vai rindo e saltando, soprando fogo, jogando bolas e sendo o palhaço-triste que ninguém vê no caminho para casa.
No meio do caminho, e porque o inesperado acontece e eu tenho a sorte cósmica dos típicos descrentes e dos fanáticos inabaláveis, no meio disto tudo, conheço gente, cruzo-me com Gente que faz a rota parecer fazer todo o sentido, sem a cidade que deixei para trás me ser tão rente.
O delicious-delight do meu amigo Quinta é um desses casos. De gente. Que me faz chorar sobre alguns textos que escreve e rir de cabeça para trás com a quantidade de ideias ridículas e idiotas que é capaz de proferir numa só frase porque é um iluminado. Pelo lado de dentro. Como aqueles ursos de peluche dos putos que se apertam na barriga e dão uma luz gira por debaixo do tecido. Mas tirando a parte do urso porque a ser um animal, o Rui seria, sei lá, um milhafre, uma gaivota ou qualquer coisa de semelhante. Tenho sorte por, no erro, ir acertando. Tenho sorte por te ter e falar de ti com o orgulho que me enche a boca sempre que o faço.
O Rui teve uma ideia genial. Descobriu depois, da pior maneira, que a ideia já andava no ar pela mão, cabeça do Alvim. O Alvim não tem uma parede de uma sala escrita pelos amigos (ou teve) com as dicas mais bárbaras e patéticas. O Alvim também não tem uma caixa com dias lá dentro numa voz de beijo. O Alvim não tem pancas de passar os dedos em tecidos finos nem comichões com coisas ridículas. Foda-se o Alvim, pá! Rui, que és nosso! Deli-delight
1 comentário:
...que dizer...
Enviar um comentário