Tenho a cabeça a rebentar, o corpo numa temperatura que já passou definitivamente do razoável e as ideias como girinos, a vaguear à solta, mas sem fio condutor- o que há-de dar, espero, numa coisa ainda mais bonita.
Escrevo sem ponta nenhuma a ligar, o que é francamente libertador, e sem muita vontade de explicar. Coisas que se arrastam nos dias, entram nas noites, aclaram e escurecem o que se sente sendo que fico cada vez mais esclarecida de que menos esclarecida estou. A ignorância e o olhar para a paisagem e sentir melhor é um remédio santo para tantos males de alma, mais ou menos na correspondência de um gin para um fim-de-semana que começa.
O Verão está a acabar (apesar da temperatura do meu corpo a esta hora precisa indiciar o contrário) e portanto prefiro acreditar no que me faz feliz, no caminho que me leva a becos esconsos, circuitos de corrida, praias bem amadas e nas pessoas tatuagem.
Houve quem nascesse neste dia. E quem quissesse escrever neste dia, por todos os dias em que não tem escrito, pelas linhas paralelas e pelo unir dos pontos que liga cidades, pessoas, bocas que sorriem, peitos que se contorcem, gente que deriva porque é isso tudo e muito mais: ilha, porto, nenufar, farol, casa de conveniência, loja de província à beira da estrada, cruzamento de estrada que liga o interior ao litoral num dia infinito.
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