" Tenho um sol sobre a pleura
e toda a água do mar à minha espera quando amo imito o movimento das marés
e os assassínios mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
e eu o pico Everest
posso ser visto à noite na companhia de gente
altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
a terra onde eu há milhares de anos vivo a parábola
do rei morto, do vento e da primavera
Quanto ao de toda a gente – tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris – já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião – não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais
– também, já por cá passaram.
Eu sou, no sentido mais enérgico da palavra
uma carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive
as mulheres que assombrei
as ruas por onde passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história de sentido ainda oculto
magnífica
irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca como uma linha férrea ultrajada pelo tempo "
Vitamina C (Assírio e Alvim)
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