Comecei por escrever este post depois de inserir uma música. Tenho este hábito tenebroso de acrescentar sempre mais coisas às coisas mais sempre ditas. Ouvi-o na ZDB, rodeada de gente até aos ossos e de alguns cartazes, em que não me detive, por estar absorta na noite. Pensei depois, no caminho para casa, que a vida é um lugar extraordinário onde tudo volta e os meandros recomeçam quando nos perdemos nos acasos dos atalhos de amargo/doce de boca. Já vi aquela ironia deliciosa, já me foi dado a conhecer aquele primor de escrita, já conheci quem fizesse aquele trejeito quando fala, porque lhe subia inadvertidamente a terra à boca. E, por hoje, sinto-me privilegiada por ter vivido tanto. E sei que gosto dele porque lhe reconheço a ele, e não a quem me faz lembrar. E sei que vivo para ouvir e ver a trágico-comédia que lhe imagino a roçar os escritos. E não me lembro agora de uma música com maior força que essa, supra-citada, cantada por ele. E se eu me pintasse, num quadro no atelier do Pomar, seria toda essa sequência cantada na letra. Com laivos de escarlate. Para abonar a vida e a paixão.
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