Sit down next to me

Ultimamente parece que alguém decidiu, lá em cima, testar verdadeiramente a contracção (sim, não gosto do Acordo) das minhas duas meias luas, que é como quem diz o meu sorriso. Acontecimentos e mais acontecimentos a roçar o inverosímil. Eventos atrás de eventos a acontecerem a dois palmos do meu olhar e a roubarem-me a concentração. Ou a fixá-la? Hoje mesmo, perante uma questão de princípio, decidi assumir o erro. Que não era meu e que não foi provocado por mim. Mas ainda assim. Perante o culpado que fugiu. E a minha incapacidade para mexer com a vida de outros. Hoje, depois de assistir a tamanha injustiça por serem sempre penalizados aqueles que não usam de estratégias hábeis para camuflar o que são. Porque são bonitos e puros. E se recusam a serem felizes à custa da infelicidade dos outros.

Hoje eu tenho que dizer que tenho dias em que sou absolutamente ridícula. Enormemente complacente. Desgraçadamente sentida. Dias em que facilmente podia ser confundida com o pedinte cego à beira da estação do Marquês de Pombal. Ou aquela louca mulher a dar milho aos pombos no Rossio. Ou mesmo aquela estátua pouco convincente perto do Parque do Tejo, suposta rainha dos mares ao redor do mais negro lodo.

Hoje eu devo dizer que erro mais do que acerto. E que sou desajeitada e tudo me distrai facilmente, e por isso sigo aos tropeções, tentando ver onde ponho os pés, mas sabendo de antemão que o que gosto mesmo é de voar. E por isso tropeço. E por isso alterno voos rasantes com loopings de cortar o fôlego.

Sabe-me bem ser assim.

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