
Pego. Nas nuvens que pintam o céu de cores de inverno. No ar rarefeito que me deixa a pele menos quente do que quando aqui cheguei. E penso. Estou de passagem. Na aragem. Do mundo. Colecciono estrada. Não armazeno piada. Sou da gente, a mais amada. Num dilúvio de palavras, afundo o Verão inteiro no silêncio e o riso ecoa, ecoa, ecoa. Sou só. Só. Só. Só. Só a andar por aí. No ruído ensurdecedor de remendos feitos à pressa em passados pouco dados à adivinhação. Vou, vou, vou. Vou-me sempre embora porque nunca chego bem a chegar. Nunca me chego bem. Nunca sou a suficiência para a solidão toda. Estou numa casa de vidro onde avisto a paisagem em todos os graus e pessoas emendadas dos erros que foram. Na minha memória descritiva, vou pôr a cor púrpura. E depois apagar a memória descritiva e começar de novo. Começar de novo.
* Imagem de FGC
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