Hoje vou quebrar uma regra que mantenho há algum tempo. A de passar para aqui textos pessoais, não ficcionais, e que surgiram como resposta a conversas faladas, escritas ou desenhadas. O próximo texto faz parte de um e-mail que escrevi em mais ou menos 7 minutos, e que fiz seguir, num atilho com cor vibrante, para um e-mail para onde seguiram muitos mais. Passo-o para aqui porque não sei bem como o escrevi: parece-me até que foi rápida demais a sua escrita, como se eu fosse apenas mensageira de algo ou de alguma coisa... (Thanks, Jo). De qualquer forma, é algo que eu deixo escrito porque quero-me lembrar do que disse (ou escrevi) sempre, sobretudo em dias marcados pela finitude. Ou seja, quero lembrar do que sou. De quem sou. E como vivo.
Pessoas de quem gosto. Tenho conhecido todo o género de pessoas: as que passam pela vida como um sopro; as que se arrastam ao longo dos anos fazendo-me sentir atemporal; as que me enviam mensagens tão só porque é Outono e porque, de repente, passam numa mercearia velha numa rua do Chiado e se lembram que um dia ( um dia no tempo curto) eu já lhes disse que, um dia ( nesse dia sem tempo) eu hei-de fotografar um sítio desses; as que conhecem sinónimos para a palavra valor, dignidade, ombridade e verdade...
Sim, saber viver sem ser reconhecido é uma arte. E ter amigos, uma arte maior. Mais ou menos o tamanho que a vida tem.
Quero ser amadora na arte de amar. As vias profissionalizantes roubam o encanto e o brilho de tudo quanto reluz. Não é ao acaso que o selvagem e o bravio despertam em nós sentimentos tão profundos quanto a espessura da nossa alma.
O domínio do formal e do correcto, deixo para as pessoas que escolhem óculos incolores, comidas destemperadas, banhos em praias acessíveis e iluminadas, caminhos apontados por placas, decisões medidas pelo mais fácil e pelo maior capital de segurança que oferecem ... e pouco sumo, cheiro, sabor, olfacto e tacto na ponta das mãos.
Para mim, quero a vida. Com todo o valor e toda a verdade a que posso aspirar, no mais doce de mim. Felizes dos que saboreiam os amigos da mesma forma como se saboreia uma compota numa tarde triste.
E pode ser que um dia eu aprenda a saber quando devo apenas reenviar e-mails porque eles contêm uma mensagem importante (como o que deu origem a este) e a não acrescentar nada
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